Coletânea com textos raros de Pierre Verger é lançada em São Paulo
Instituto Çarê e Fundação Pierre Verger publicam ensaios escritos pelo
etnógrafo entre os anos 1950 e 1980. O lançamento em São Paulo, dia 16 de
setembro, às 19h, na Biblioteca Mário de Andrade, reúne os pesquisadores Ângela Lühning, Angela Fileno e Rafael Galante
Sobre
Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre
Brasil e golfo do Benim (Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger, 2026)
reúne doze textos de Pierre Fatumbi Verger (1902-1996), boa parte inédita em
português, produzidos entre o fim dos anos 1950 e o início dos anos 1980.
Parceria com a Fundação Pierre Verger, Iorubahia é uma realização do
Instituto Çarê, organização cultural sem fins lucrativos que se dedica a
preservar e a fomentar manifestações culturais brasileiras de relevo. O livro
nasceu do processamento do acervo da editora soteropolitana Corrupio,
adquirido em 2003 pelo Çarê. Com organização de Angela Lühning, tem
projeto gráfico de Oga Mendonça e posfácio de Tiganá Santana.
O lançamento do livro em São Paulo acontece no dia 16 de setembro,
às 19h, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em uma mesa de debate
com os pesquisadores Ângela Lühning, Angela Fileno, coordenadora de
núcleo de acervo do Instituto Çarê, e Rafael Galante, historiador e
etnomusicólogo, com estudos sobre musicalidade e espiritualidade africanas e
da diáspora negra. A mediação é da jornalista Teté Martinho. A entrada é
gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes do início do evento.
Resultado de pesquisas realizadas entre a África Ocidental, a Bahia e
outros territórios da diáspora africana, os ensaios abordam temas que
acompanharam Verger ao longo de décadas, como as relações históricas entre
o Golfo do Benim e o Brasil, a religião dos orixás, o transe, as plantas litúrgicas,
o sistema de divinação Ifá e as tradições orais da cultura iorubá.
No período em que escreveu esses textos, Verger viveu entre Salvador
e a Nigéria, pesquisou arquivos coloniais europeus e brasileiros, tornou-se
doutor em estudos africanos pela Escola Prática de Altos Estudos, em Paris, foi
pesquisador associado da Universidade de Ibadan e professor visitante da
Universidade de Ilê-Ifé. Também percorreu cidades e vilas do território iorubá
para acompanhar rituais e registrar relatos orais de babalaôs.
"Os textos reunidos em Iorubahia representam faces relevantes da
trajetória multitemática e multiespacial do pesquisador Pierre Fatumbi Verger,
que ele manteve em processo de construção constante, além da carreira do
fotógrafo já consagrado", afirma Ângela Lühning.
A coletânea está organizada em três eixos temáticos. O primeiro dialoga
com a pesquisa que deu origem à tese de doutorado de Verger sobre o tráfico
de escravizados entre o golfo do Benim e a Bahia. O segundo aborda o papel
da religião dos orixás na Nigéria e no Brasil e o fenômeno do transe religioso.
O segmento final reúne reflexões sobre conhecimentos transmitidos oralmente,
plantas litúrgicas e o sistema de divinação Ifá, temas que o pesquisador
aprofundaria posteriormente em Ewé. O uso das plantas na sociedade iorubá.
No posfácio, o pesquisador, curador e multiartista Tiganá Santana
destaca a contribuição de Verger para os estudos africanos e afro-brasileiros e
observa que sua obra rompe hierarquias entre o conhecimento produzido na
África e na diáspora, propondo uma compreensão mais ampla das conexões
culturais entre os dois lados do Atlântico. “Verger convoca que se esteja,
seriamente, lá (em algum locus existencial do continente africano) e que se
redimensione, por conseguinte, o que é nascer/viver cá”, escreve.
Inaugurada em 1979 por um grupo de mulheres liderado pela fotógrafa
Arlete Soares, a editora Corrupio foi criada para editar a obra de Verger. Ao
longo de quatro décadas, construiu um catálogo dedicado à presença negra na
formação da cultura brasileira e às relações históricas entre o Brasil e a África.
A aquisição desse acervo pelo Instituto Çarê possibilitou a retomada de
manuscritos de Verger, e deu origem a Iorubahia.
Pierre Fatumbi Verger (Paris, 1902 – Salvador, 1996) iniciou sua trajetória
profissional nos anos 1930, tornando-se conhecido como fotógrafo viajante. Em
1946, fixou residência em Salvador, onde trabalhou inicialmente como repórter
fotográfico para a revista O Cruzeiro. Mais tarde, enveredou pela pesquisa
documental e de campo nas áreas de antropologia, história, conhecimentos
orais e botânica, conforme seu interesse se ampliava para questões históricas
e culturais, e as tradições religiosas de matriz africana. Em viagens constantes
à África Ocidental, fez um mergulho pessoal na cultura iorubá, tendo sido
iniciado como babalaô em 1953. Em 1966, tornou-se doutor em estudos
africanos pela École Pratique des Hautes Études (EPHE), em Paris. É autor de
obras referenciais para o estudo dos trânsitos culturais atlânticos e da presença
iorubá na diáspora, como Orixás. Os deuses iorubás na África e no Novo
Mundo e Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o golfo do Benim e a
Bahia de Todos os Santos, dos séculos XVII a XIX.
Mesa de lançamento: os participantes
Angela Lühning começou a trabalhar com Pierre Verger em 1988, momento
da criação da Fundação Pierre Verger, em Salvador, e segue vinculada à
instituição, como diretora e coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger.
Realizou diversas pesquisas sobre Verger e sua atuação, que resultaram em
artigos e outras publicações. Organizou os livros Pierre Verger: repórter
fotográfico (2004) e Verger-Bastide: Dimensões de uma amizade (2002),
publicados pela Bertrand Brasil. É professora titular aposentada da Escola de
Música da UFBA, onde atuou na área de etnomusicologia de 1990 a 2025.
Angela Fileno é graduada em História pela Universidade de São Paulo e
doutora em História Social pela Universidade de São Paulo, com a tese: Vozes
de Lagos: brasileiros em tempos do Império Britânico Pesquisa de
doutoramento em História Social, com ênfase em História da África, voltada ao
estudo do retorno de libertos brasileiros à região do Golfo do Benim e à sua
inserção nas dinâmicas políticas, econômicas e culturais de Lagos, no século
XIX. Foi professora da Universidade de Guarulhos de 2003 a 2018.
Atualmente, coordena o Núcleo de Acervo do Instituto Çarê.
Rafael Galante é historiador e etnomusicólogo. Doutor e mestre em história
social pela Universidade de São Paulo, foi pesquisador visitante na
Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique. Realizou
pesquisas sobre musicalidades e filosofias espirituais em parceria com
comunidades tradicionais no Brasil, em Cuba e Moçambique. Sua tese de
doutorado sobre as culturas sineiras centro-africanas e sua diáspora no Brasil
venceu o Prémio Sílvio Romero de 2023, do Centro Nacional de Folclore e
Cultura Popular (CNFCP/IPHAN). Organizou, com Renata Bittencourt, o livro
digital Música e Modernismos Negros (Instituto Moreira Salles, 2024).
Os editores
Letra da Cidade (https://institutocare.org.br/nucleos/livros/) é o selo editorial
dos institutos Acaia e Çarê, duas organizações sem fins lucrativos sediadas em
São Paulo e voltadas a promover a valorização e o acesso à educação e à
cultura. Seu catálogo cobre áreas de interesse dos dois institutos, como
educação, cultura jovem periférica, música e artes visuais.
O Instituto Çarê (https://institutocare.org.br/), centro cultural aberto à
cidade, tem como missão salvaguardar e difundir obras que marcaram pontos
de inflexão na história da cultura brasileira, promovendo manifestações
artísticas relevantes, que passam ao largo do radar do mercado cultural.
A Fundação Pierre Verger (https://pierreverger.org) é uma instituição
sem fins lucrativos criada em 1988 e sediada na casa onde Pierre Verger viveu,
em Engenho Velho de Brotas, Salvador. Tem como missão preservar o acervo
e a memória de Verger, além de propor atividades culturais e socioeducativas
para a comunidade local.
Iorubahia _ Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre
Brasil e golfo do Benim
Pierre Fatumbi Verger
Ângela Lühning (org.)
Letra da Cidade/Fundação Pierre Verger, 2026
ISBN 978-65-998062-6-1
320 páginas
R$ 110
Lançamento/serviço:
Quando: 16 de setembro, quarta-feira, às 19h
Onde: Biblioteca Mário de Andrade
Mesa de lançamento: Ângela Lühning, Angela Fileno, Rafael Galante e Teté
Martinho (mediação).
Entrada: Gratuita, com retirada de ingressos 1 hora antes.
Informações para imprensa:
Adriana Balsanelli
11 99245 4138
imprensa@adrianabalsanelli.com.br
Quando
Entrada
A programação do Instituto Çarê é gratuita e aberta ao público.
Onde
Instituto ÇarêRua Doutor Avelino Chaves, 138
Vila Leopoldina, São Paulo, SP
CEP 05318-040
Rua Doutor Avelino Chaves, 138
Vila Leopoldina, São Paulo, SP
CEP 05318-040