Convênio IEB USP – Instituto de Estudos Brasileiros
Convênio IEB USP – Instituto de Estudos Brasileiros
Sobre
O convênio com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP) viabiliza um programa de residência artística que oferece a artistas a oportunidade de imersão nos arquivos do Núcleo de Acervo do Çarê e do IEB, um dos mais importantes acervos culturais do país.
Fundado em 1962 pelo historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o IEB é um dos principais centros de pesquisa e preservação de acervos do Brasil. Seu trabalho visa refletir criticamente sobre a sociedade brasileira, integrando áreas das ciências humanas e salvaguardando documentos, livros e obras de arte. Além de preservar esse rico patrimônio, o IEB se dedica à educação e à difusão cultural, oferecendo cursos de graduação e pós-graduação, e promovendo exposições e publicações.
Os participantes do programa são selecionados via chamamento público e curadoria de ambas as instituições. O contato com uma ampla gama de materiais e itens para consulta e pesquisa amplia, diversifica e consolida as referências desses artistas, servindo como base para o desenvolvimento de novos projetos artísticos.
Conheça os participantes do programa de residência artística e os resultados de suas experiências:
2025
Produções de Capulanas Cia de Arte Negra e Coletivo Memórias Carandiru
Em seu terceiro ciclo, o programa de residência artística contempla em 2025 os coletivos Capulanas Cia de Arte Negra e Memórias Carandiru e busca fortalecê-los em seus propósitos de criar produtos culturais e artísticos que dialoguem com a valorização e preservação da memória, questionando principalmente o lugar da memória negra em instituições de guarda de acervos documentais. Em formato inédito, os grupos frequentam juntos e de forma semanal o IEB, o Çarê e outros locais relevantes para o desenvolvimento dos trabalhos. Os resultados finais da residência serão apresentados ao público no início de 2026.
Capulanas Cia de Arte Negra
Fundada há 18 anos, a Capulanas Cia de Arte Negra desenvolve diversas pesquisas, estudos, e produções artísticas (principalmente teatro, dança e performance), tendo como foco principal as vivências da mulher negra, sua saúde, afetos e resistência frente às formas de opressão sistemática vividas cotidianamente. Entre os trabalhos já realizados pelo coletivo, constam os espetáculos Pé no Quintal e Sangoma: saúde às mulheres negras, desenvolvidos em 2010 e 2012, respectivamente. O grupo possui uma sede localizada no Jardim São Luiz, chamada Goma Capulanas – um ponto de cultura e espaço potencial de vida.
Por meio de encontros e criações artísticas coletivas no contexto da Residência Artística, as integrantes participantes do Programa – Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Jessica Nascimento Olaegbé – têm discutido o amor, o afeto e as formas de resistências no contexto negro, evidenciando, mais especificamente, como as mulheres negras expressam todo um cuidado, um carinho e um afeto comunitários por meio do ato de cozinhar. Além disso, as artistas têm refletido sobre a dimensão de memória e de prática política carregada pela comida, saudando saberes ancestrais carregados por ela. Para o processo de pesquisa e criação artística, o grupo se vale da fabulação crítica, conceito cunhado por Saidiya Hartman.
Coletivo Memórias Carandiru
O Memórias Carandiru é formado por sobreviventes e familiares de sobreviventes do sistema penitenciário brasileiro, que discutem as formas de apagamento de grupos ligados ao cárcere perpetuadas pela estrutura do Estado, e que lutam pela Memória, Verdade e Justiça. Trabalham especialmente com a memória da Casa de Detenção de São Paulo, complexo prisional na zona norte de São Paulo que chegou a abrigar o maior número de detentos da América Latina, e que foi palco do que ficou conhecido como Massacre do Carandiru, em 1992. Grande parte da penitenciária foi demolida e hoje o local se tornou o Parque da Juventude. Nesse território, o coletivo desenvolve os Roteiros de Memória, por meio dos quais os integrantes do grupo contam como era o cotidiano dentro da Casa de Detenção, ampliam a dimensão humana das vidas atravessadas pelo Carandiru, falam sobre o massacre e mostram vestígios do que existia ali.
O coletivo é formado por Maurício Monteiro, ”Prisioneiro 84.901”, que presenciou o massacre; Hellen Baum, Nadia Lima e Walter Luiz dos Santos.
Na Residência Artística, o grupo tem dado continuidade ao estudo do Massacre da Casa de Detenção e à luta contra o seu apagamento. Além disso, tem aprofundado suas pesquisas sobre outros temas igualmente importantes, como a questão do recorte racial existente no sistema prisional; o encarceramento feminino (e aspectos tangentes a esse tema, como o abandono sofrido pelas detentas e a maternidade dentro do cárcere); a violência policial; e a situação geral do encarceramento no Brasil.
2024
O diário de André Rebouças e O voo das borboletas amarelas
Produção de Sá Menina Plataforma de Artes
A Sá Menina Plataforma de Artes, sediada na Vila Nhocuné, zona leste de São Paulo, foi um dos grupos selecionados em 2024. Com uma proposta afrocentrada, o coletivo transdisciplinar integra música, poesia, artes visuais, teatro e arte de rua.
Ao longo de de 2024, a Sá Menina realizou uma imersão nos arquivos do IEB e do Çarê, o que resultou na criação do texto dramatúrgico para o espetáculo teatral O diário de André Rebouças, inspirado nos documentos pessoais do grande engenheiro, escritor e abolicionista brasileiro. O processo também originou a exposição O voo das borboletas amarelas: caminhos percorridos nos arquivos para o fazer artístico, no IEB. A mostra reuniu documentos de arquivo e livros consultados pelos durante a residência artística.
Participaram como residentes Renato Gama, Paulo Rafael da Silva, Luzia Rosa, Almir Rosa, Ligéa de Matteo, Mel Gomes e Gabriella Gummersbach.
Cartografias de uma viela: tecido de pele e tinta
Produções de Adriele Oliveira, Danilo Juliano, Deusvaldo Pereira, Difavela, Luiz Lira e Ramon Santos
Resultado da produção de artistas cujas obras resgatam memórias e realidades das periferias de São Paulo, a exposição Cartografias de uma viela: tecido de pele e tinta esteve em cartaz no Instituto Çarê entre setembro e novembro de 2024, proporcionando ao público um olhar sensível sobre essas vivências.
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Publicações relacionadas
ROSA, Letícia Cescon da. Parceria Instituto Çarê, Sá Menina Produtora e IEB: uma semente para germinar e transformar. Informe IEB, São Paulo, v. 2, n. 23, p. 5-6, maio 2024. Disponível em: https://www.ieb.usp.br/wp-content/uploads/sites/127/2024/06/informe-IEB-23-v2.pdf. Acesso em: 12 fev. 2025.
ROSA, Letícia Cescon da; RIBAS, Elisabete Marin; ULIANA, Dina Elisabete; PRODUTORA, Sá Menina. Residências artísticas em acervos documentais: diálogos entre a arte e a ciência da informação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 30., 2024, Recife. Anais […] . [s.l.]: Febab, 2024. p. 1-11. Disponível em: https://portal.febab.org.br/cbbd2024/article/view/3208. Acesso em: 12 fev. 2025.
SALLES, Silvana; ADRYAN, José; TENÓRIO, Joyce (arte). Diário de André Rebouças inspira espetáculo de artistas da zona leste de São Paulo: projeto promoveu a primeira residência artística feita em arquivo no brasil; documento histórico que inspirou a peça teatral está guardado na USP. Jornal da USP. São Paulo, jun. 2024. Disponível em: https://jornal.usp.br/diversidade/diario-de-andre-reboucas-inspira-espetaculo-de-artistas-da-zona-leste-de-sao-paulo/. Acesso em: 12 fev. 2025.
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